saudade

é quando todos os sentidos me doem.

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moscou.

Moscou é amor e pequenos ódios. é pressa dentro da minha calmaria. é sol nos meus dias frios. é frio em sorrisos quentes. é um inverno longo que acalenta minha alma de veraneios.

Incerto.

há pouco saí da fila do pão, já sei quem sou e sinto minha alma envolta em incertezas. abraçada ao escuro do novo, ao frio na barriga, eu vejo leveza. eu vejo paz. pode tudo dar certo e dar errado. paz. o desassossego agora vem de olhos brilhantes, é desassossegada que eu quero viver.

 

Sobre ser.

Quem sou eu na fila do pão? E nem falo de amor. Quem me vê, sabe que eu me perdi. Sabe que eu nem tento me encontrar. Não é nada de mais, eu sei onde estou, não sei quem sou. Me perdi no tempo, dentro do espaço. Me deixei ir e me segui. Soltei meu eu pelo meu pão. E todo dia na fila, eu já nem sei. E quem me vê, não me vê mais. Sou só mais alguém na fila do pão. Só mais alguém que se perde. E não quero me achar. Ou quero, mas quero o pão também. E sei. É tarde demais.

 

 

Alguém me disse…

e eu não ouvi.
não quis.
o pé na estrada,
a mochila nas costas,
o sol nos olhos,
e no ouvido, som nenhum.
alguém disse,
mas não ouvi.
som disperso.
aqui fora é assim,
o mundo é tão grande que a gente ouve
quando quer.
e eu não quero te ouvir.

Apenas.

Algumas coisas,
A gente diz.
Mas não é sempre.
Tem vez. Tem hora.
Não tem.
Algumas coisas,
A gente sente.
Mas não sorri.
Tem vazios, tem lágrimas.
Silêncios.
Algumas coisas,
A gente faz de conta.
E conta, reconta,
E mente.
Tão sempre.

Nada mudou.

Como o quarto é vazio.
Como faz falta o riso.

E mesmo assim, nada mudou.

A geladeira está mais fria.
A janela mais fechada.

E mesmo assim, nada mudou.

No chuveiro já não se canta mais.
As panelas estão limpas.

E mesmo assim, nada mudou.

A cópia da chave dentro da gaveta.
E dentro de mim, nada.

mudou.